10.1.07

Colidouescapo

Augusto de Campos
Amauta Editorial
Ou a poesia quebra a cara ou sai dessa mais rica

Pense na proximidade destes sons: colidouescapo e caleidoscópio. Lembra alguma coisa? Esta é a “invenção” de Augusto de Campos e seu irônico Colidouescapo. O “livro” — que repete o projeto gráfico de 1971, vem encapado em dobradura de papel-cartão e miolo em folhas soltas dobradas — permite que a poesia seja reconstruída pelo leitor (jogo lúdico e função poética) formando palavras, quase sempre estranhas. Mas não tente encontrá-las no dicionário! O que se busca aqui é o estranhamento e novos paradigmas. Alguém sabe o significado de restento, exiscontro (tento novamente?, existe encontro? ou ex-encontro?)? Augusto de Campos, um dos expoentes do Concretismo (junto com o irmão Haroldo e Décio Pignatari), leva a poesia a sua forma mais sintética e propõe que o leitor faça a sua “despoesia”.
Revelador aqui é o poema central ser a palavra desesprezo. Desprezo (não prezo a) pela poesia formal, descritiva, parnasiana. A experiência nos remete à morte da poesia, mas não é. Colideouespaco colidiu e escapou: a poesia permanece.

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