21.11.08

Grande Tom Zé

No último dia 19 de novembro estive entrevistando Tom Zé, que eu já admirava e agora então, depois deste Estudando a Bossa, admiro muito mais. Vocês poderão conferir na edição de dezembro da Rolling Stone.

Arrigo Barnabé

Na Rolling Stone n. 26 publiquei um texto sobre o Arrigo Barnabé que simpaticamente me concedeu uma bela entrevista. É lógico, que lá a entrevista não está na integra. Na verdade é um texto impressionista sobre o eterno vanguardista da música do Brasil.
ADORÁVEL MALDITO
Arrigo Barnabé revê três décadas de obra em disco ao vivo
Graças às inusitadas misturas (rock, MPB e música erudita com dança e teatro) e ousadias musicais (dodecafonismo, atonalidade), o nome de Arrigo Barnabé sempre esteve associado à vanguarda. Não por coincidência, o músico se consagrou como um dos cabeças do movimento “Vanguarda Paulistana” na década de 70, que incluía nomes como Itamar Assumpção, Tetê Espíndola e Grupo Rumo, e deu o verniz erudito às produções do período.
Como uma forma de repassar a carreira de 11 discos gravados ao longo de três décadas, o músico lança Arrigo Barnabé e Paulo Braga - Ao Vivo em Porto, álbum ao vivo gravado em 2004 durante um único show na cidade portuguesa. “Fiquei sabendo que algumas pessoas foram de Lisboa a Porto para assistir, e isso não é pouca coisa”, comemora o londrinense de 57 anos. O resgate da gravação aconteceu durante o programa que Arrigo apresenta na rádio Cultura, durante uma entrevista com Wilson Souto, um dos sócios do antigo Teatro Lira Paulistana e hoje diretor do selo Atração (que acabou lançando o CD). “Esse era um material inédito, em que as pessoas podem ouvir os esqueletos das músicas, assim meio como um voyeur auditivo”, ele explica, sobre os arranjos contidos do disco. Esse ineditismo pode ser ouvido nas versões em piano de seis peças conhecidas - “Office Boy”, “Sabor de Veneno”, “Clara Crocodilo”, “Antro Sujo”, “Outros Sons” e “Cidade Oculta” -, que conservam suas teatralidades originais, com Arrigo e Braga usando a voz como canto, discurso e fala. A utilização das vozes, no caso, quebra a seriedade esperada em um concerto de piano erudito.
Se a obra de Arrigo é considerada de difícil fruição, a valsa “Cidade Oculta”, da trilha sonora do filme homônimo de Chico Botelho (1986), pode ajudar a mudar esse conceito. Com uma interpretação pungente, ele canta a canção de forma melódica, quase que solfejando. “Isso é porque eu sou um mau cantor”, brinca. “É verdade! Eu tenho que tocar a nota pra afinar a voz!”